Em 27 de setembro, celebra-se o Dia Nacional da Doação de Órgãos. E o Brasil tem motivos para comemorar: a rede pública de transplantes do país é uma das mais organizadas e eficientes do mundo, e o número de doadores cresceu desde que a legislação sobre o tema entrou em vigor, há cerca de 20 anos. Mas como tudo sempre pode melhorar, o país ainda tem o desafio de reduzir as filas que impõem a milhares de famílias o sofrimento da espera por um doador. Chegamos à marca de 16 doadores efetivos por milhão de habitantes (há duas décadas, ficava entre seis e sete doadores por milhão de habitantes), mas vislumbramos alcançar países como Espanha, Estados Unidos, Portugal e França, onde essa proporção dobra.

Falta de solidariedade e empatia? Medo? Preconceito? Nada disso. O que mais pesa na decisão de doar órgãos, segundo médicos e especialistas que atuam na rede de transplantes, é a falta de informação. Tire suas dúvidas sobre o tema e saiba como você pode salvar vidas.

O que é a doação de órgãos

É o ato de permitir que uma ou mais partes do corpo (órgãos ou tecidos) sejam retiradas de um paciente após a morte dele para que possam ajudar outras pessoas. No caso dos órgãos, o transplante precisa ser feito horas após o falecimento para que o funcionamento no receptor não seja inviabilizado. Em alguns casos, a doação também pode ser feita em vida.

Como ser doador

O ideal é manifestar a vontade de doar e informá-la à família. Não adianta deixar o desejo expresso por escrito nem um registro — mesmo gravado em vídeo ou declarado em uma rede social, por exemplo. A decisão final é dos familiares: são eles que definirão se e quais órgãos e tecidos serão doados.

Quando a doação é possível

Não é qualquer tipo de morte que viabiliza a doação. Para que os órgãos possam ser transplantados, é preciso que sejam retirados enquanto o coração ainda bate artificialmente — o que só é possível em casos de morte encefálica, quando todas as funções do cérebro param de maneira completa e irreversível. Essa é a definição legal de morte. Quando cessam todas as funções neurológicas, o organismo é mantido “funcionando” com a ajuda de aparelhos. Como ainda há uma pulsação e o corpo está quente, há dificuldade de os familiares entenderem que aquela pessoa efetivamente está morta, que se trata de uma situação irreversível. E a negativa familiar diante de situações como essa é a principal causa que impede a doação de órgãos. É por isso que, apesar do grande número geral de mortes, a quantidade de possíveis doadores é baixa.

Quem pode e quem não pode doar

Há critérios de seleção destinados a impedir que órgãos pouco saudáveis sejam utilizados em transplantes. A idade não costuma ser um deles: crianças e idosos podem ser doadores, assim como qualquer pessoa que tenha tido a morte encefálica confirmada. Mas a causa da morte e o tipo sanguíneo do doador, entre outros fatores, ajudam a definir quais partes de um corpo poderão ajudar outras pessoas. No Brasil, só há restrição absoluta à doação de órgãos por parte de pessoas com aids, com doenças infecciosas ativas e com câncer. No entanto, indivíduos com alguma doença transmissível podem doar para pacientes que tenham o mesmo vírus, como no caso das hepatites.

Como é feita a doação

A doação consiste na retirada cirúrgica de órgãos ou tecidos saudáveis de um recém-falecido e sua posterior reposição no corpo de uma pessoa doente, o receptor. Na morte encefálica, órgãos e tecidos podem ser doados. Nos casos em que o coração para, somente tecidos podem ser transplantados.

Doação em vida

Pela lei, parentes de até quarto grau – pais, irmãos, netos, avós, tios, sobrinhos e primos – e cônjuges podem ser doadores em vida. No caso de receptores que não são parentes, o transplante só pode ser feito com autorização judicial.

 

Fonte: Diário Catarinense

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