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Cegos e Idiotas

por Gilberto Dimenstein
Coluna da Folha de S.Paulo, 07/10/2015

A repórter Cláudia Collucci, da Folha, conta hoje a história de um menino chamado Mikael, de 9 anos, que era debochado pelos colegas na escola e, diariamente, se sentia humilhado.

A história mostra como o Brasil está cego para um problema tão grave. E tão simples de resolver.

Ele era debochado porque não conseguia ler. A humilhação era maior quando, chamado à lousa, ficava inerte. Achavam que ela tinha problemas mentais.

Isso, óbvio, deixa marcas para o resto da vida. Até porque Mikael é um sério candidato a repetir o ano. Não conseguia consulta na rede pública.

A solução, porém, veio em poucos minutos. Ele conseguiu ser atendido num projeto de médicos voluntários chamado Horas da Vida – médicos doam algumas horas por mês.

O garoto saiu de lá enxergando. O candidato a uma vida marginal agora candidata-se a ser um trabalhador produtivo. O problema mental não é dele. Mas nosso.

Insisto aqui que uma enorme idiotice e cegueira brasileira é não oferecer tratamento médico nas escolas, onde há milhões (não exagero, milhões) de garotas e garotos como Mikael, com problemas simples de saúde e que afetam dramaticamente a aprendizagem.

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“… ter a mão amiga de um médico, eu realmente me sinto profundamente emocionado.”

MAESTRO JOÃO CARLOS MARTINS  /  Fundação Bachiana Filarmônica  /  www.fundacaobachiana.org.br

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“Eu acredito que, através do apoio a organizações como essa, nós vamos transformar a relação entre nós e a sociedade em que nós vivemos.”

DRA. VERA CORDEIRO  /  Saúde Criança  /  www.saudecrianca.org.br

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“Todos os aspectos deste projeto me emocionam! Ele é um uso inteligente dos recursos, tanto das horas ociosas dos médicos, quanto dos recursos financeiros que foram investidos no projeto.”

CÉLIA KOCHEN PARNES  /  Unibes  /  www.unibes.org.br

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“… é o encontro de pessoas que podem fazer a diferença com pessoas que precisam que alguém faça a diferença na vida delas… é o antibiótico da alma!”

GILBERTO DIMENSTEIN  /  Catraca Livre  /  www.catracalivre.com.br

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“O bem que a gente vai fazer para todo mundo não tem preço!”

DRA. ANA ESCOBAR  /  Dra. Ana Escobar  /  www.draanaescobar.com.br

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“O Horas da Vida é uma iniciativa muito importante tanto para os médicos, que se sentem bem ao ajudar, e para os pacientes que se beneficiam com a ação.”

DR. ÁLVARO NAGIB ATTALAH  /  Centro Cochrane do Brasil  /  www.centrocochranedobrasil.org.br

Depoimento

“Nunca fui atendida assim sem pressa o médico olhou pra mim prestou atenção no que eu disse e me explicou tudo que eu precisa ouvir, saí do consultório motivada com atenção recebida”.

ANETE B. SANTOS  /  Mãe da paciente  /  Sara Brandão Santos

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NOSSA VOZ

Incompetência põe em risco humanismo na medicina

A relação entre o humanismo e a prática da medicina é objeto de inúmeros estudos, pesquisas e artigos no Brasil e no mundo. São várias as linhas de pensamento. Há, contudo, algumas premissas unânimes.

Cito, por exemplo, a que atribui a desumanização às falhas do sistema e à falta de políticas de saúde consistentes. Destaco, sem medo de errar, que parte do problema também se deve à decadência do aparelho de ensino, à formação insuficiente, à desvalorização do papel do médico.

A turva visão social de alguns gestores é outro motivador da medicina se afastar cada vez mais de sua essência. Salta aos olhos nos dias de hoje o descompromisso com os cidadãos por parte de hospitais de grande porte da rede pública. Seja para manter privilégios de uma casta e/ou em virtude da incompetência administrativa, há instituições de renome cancelando cirurgias e consultas, garantindo apenas atendimento básico em urgência e emergência. Assim, mesmo com ressalvas.

Evidentemente existe a agravante do subfinanciamento da saúde. São de fato escassas as verbas da União, os estados também deixam a desejar nesse quesito e os municípios não colaboram. Em todos os níveis, mágicos da matemática maquiam contas para apresentar balanços em consonância com a Lei Complementar 141/2012, que estabelece a destinação de verbas mínima para a saúde.

Não podemos aceitar que gestores se apeguem à carência de recursos para justificar o que é fruto de incapacidade e, às vezes, de má fé. Se há pouco para gastar, que se gaste com responsabilidade e efetividade. Muitas contas não fecham, pois impera a cultura do desperdício. Fica a impressão de que não se pensa que alguém está pagando a conta.

Em hospitais com escolas médicas há mazelas ainda mais graves. Como os exames são “subsidiados”, joga-se dinheiro público no lixo. Uma investigação elementar mostrará que exames são solicitados sem controle e/ou critério. Um residente pede um, chega outro em turno diferente e pede mais um e assim segue. Uma auditoria facilmente encontrará o mesmo exame realizado três vezes em 24 horas, com iguais resultados.

A gestão hospitalar deve ser exercida por quadros qualificados e capacitados. Mas não é o que ocorre. Comumente ouvimos notícias de hospitais tidos como de excelência com gestão extremamente precária; isso porque quem exerce o cargo é incompetente, não tem formação adequada e, em casos específicos, nem boa índole. Gestão é uma ciência tão relevante quanto à cardiologia, à pneumologia e assim por diante.

Em certas instituições, pessoas sem qualificação nem conhecimento na medicina ditam normas esdrúxulas, capitaneiam o Conselho Gestor sem base alguma. O resultado: desvio de verba, suplementações inadequadas, uso do serviço público para tratamento de doenças particulares, desvio de função… Em determinadas castas diretivas é fácil encontrar indivíduos com suplementações salariais indevidas, que trabalham em outros lugares quando deveriam honrar o que recebem do Estado, prestando serviço à população.

Outro problema recorrente em hospital de ensino é que não tem quem ensine. Os teoricamente responsáveis pela formação não aparecem ou marcam o ponto (às vezes a distância, pela facilidade tecnológica) e vão para outro emprego. Daí a solicitação de exames desnecessários, apenas por curiosidade ou insegurança, sem indicação clínica, já que o aluno não tem mestre.

Sou médico e professor à moda antiga. Paciente para mim tem nome. Cuido de doentes não de doenças. Resgatar a boa prática da medicina, o humanismo e a cumplicidade entre médico e pacientes são prioridades para qualquer um que entenda o sistema de saúde como um direito básico do homem, conforme consagrado no artigo 196 da Constituição Federal.

Deixo então registrada minha indignação, mas jamais perderei a esperança nem a flama para lutar por mudanças. Assim, faço um chamado a todos os médicos, profissionais de saúde e cidadãos a valorizar a qualidade de vida e a dignidade humana em cada momento e campo profissional, em particular na medicina.

Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

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NOSSA VOZ

Muito se fala, mas será que todo mundo sabe realmente o que significa humanização?

Tanto tem se falado de humanização que o conceito já virou um pouco “batido”. Alguns médicos ainda enxergam reticências e pouca aplicabilidade na rotina. Já para muitos dos pacientes, o termo “humanização na medicina” vem repleto de jargões e distanciamento do que a maioria encontra no dia a dia.

Mas será que todos, médicos e pacientes, sabem de fato o que significa humanização na prática?

Quando, em 2011, o SUS implementou a Política Nacional de Humanização, o “HumanizaSus” a proposta não era humanizar ninguém, como muita gente pensa. A ideia sempre foi dar a atenção e dedicação merecida para as relações que se desdobram dentro do SUS, produzindo relações mais humanas e saudáveis entre todos seus agentes.

Quem é responsável pela humanização na medicina?

Um dos grandes enganos é acreditar que a humanização da medicina está nas mãos apenas dos médicos ou do sistema de saúde. A humanização deve tocar a todos os envolvidos, inclusive os pacientes. Sem autonomia, protagonismo e co-responsabilidade de TODOS é impossível termos sucesso nas relações. É uma mão de via dupla.

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